sábado, 14 de janeiro de 2017

Jesus e o Reino de Justiça


Por Marcos Aurélio dos Santos 

Deus é amor e justiça. O conceito de justiça não foi construído a partir de uma ideia pensada, elaborada ou forjada a partir de discussões humanas. Esta emana do próprio Deus que é anunciada e encarnada na prática pelos profetas hebraicos que por fim tem sua expressão máxima em Jesus de Nazaré. Da periferia da Galileia surge o Deus justo, o Deus que sofre, o Deus humilhado, o servo sofredor que caminha com o pobre.

A justiça de Jesus excede de maneira extraordinária a dos religiosos de sua época, pois a profecia pronunciada e vivida por Ele parte de baixo para cima. A justiça do Nazareno não se contaminou com o sistema socio-político-religioso opressor, não comungou com a falsa justiça dos poderosos de Jerusalém. Não negociou a sua liberdade, nem tão pouco a do povo que vivia debaixo de opressão. A Galileia foi seu ponto de partida para o anúncio da boa notícia. O reino de Deus chegou, e aos pobres é chegado um reino de justiça.

Foi entre os pobres, entre os pequenos e excluídos que Jesus de Nazaré resolveu proclamar as boas novas do evangelho do seu reino, ou seja, uma boa noticia ao povo. Anuncia o reino de Deus a um povo que estava sem esperança, sem um caminho, sem identidade. Jesus anuncia um novo tempo, tempo de libertação, de misericórdia, de partilha, de luta e resistência, de caminhar em parceria com Deus. Ele nos chama para caminhar com ele em marcha, como itinerantes de sua graça, sinalizando o seu reino, o reino da justiça.

Essa justiça deve ser exercida com amor. Toda prática de justiça que não é motivada pela compaixão ao outro não é verdadeira e portanto torna-se suspeita. Nossos interesses egoístas não podem influenciar ou ser a base de nossa prática em exercer a vontade de Deus no mundo, doutra forma, vai contra o mandamento do Cristo que excede toda lei e os profetas que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

O discípulo motivado pela justiça do amor de Cristo renuncia a si mesmo não para uma libertação total dos pecados pessoais, mas renunciar a si, implica diretamente em doar-se ao outro sem reservas ou interesse próprio. Devemos nos libertar do Eu! A vida de Jesus foi uma vida de serviço e doação em amor. Amou o mundo como o Pai o amou. Acolheu a todos sem perguntar, impor regras, ritos e dogmas, simplesmente nos amou até o fim.

O amor de justiça transcendeu a lei. Em obediência ao Pai, Jesus sofreu até a morte, morte de cruz, lugar de condenação para os piores criminosos da sociedade. Sua postura subversiva o levou à morte violenta junto aos malfeitores. Assim Ele cumpriu a vontade do Pai. Na pessoa de Jesus de Nazaré, em meio a uma sociedade opressora onde permeia a injustiça, brota uma nova esperança para o povo. A recuperação de uma identidade perdida como povo de Deus.

A justiça de Deus transcende toda tentativa de exercer uma justiça forjada em nós mesmos. Esta seria no mínimo individualista  e usurpadora. Nossa limitação nos sujeita a erros grosseiros, o que pode resultar em frustração. Esta é mais uma forte razão para crer que toda justiça emana de Deus. Por mais que haja esforço de nossa parte, por mais que lutemos por um mundo melhor estaremos sempre dependentes da orientação do autor. Sem Deus a justiça não passará de ideias tolas, sem respostas concretas para o sofrimento humano, sem uma voz que ecoe nos lugares mais remotos e sem vida.


Resgatar a profecia, ouvir os profetas, ouvir Deus, ouvir o mundo. Em Jesus de Nazaré permanece a fé, a esperança e o amor. 
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