segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Por Uma Igreja Comunitária


Por Marcos Aurélio dos Santos 

Ser igreja é ser comunitário, aliás, todo cristão deve ser. Não haverá igreja se esta não viver em comunidade pois assim viveram os cristãos do primeiro século. Pai nosso e pão nosso. Essa foi a oração comunitária ensinada por Jesus de Nazaré aos seus discípulos. Uma nova vida em Deus liberta do individualismo que é inimigo de qualquer movimento comunitário. Compartilhar, caminhar, demonstrar compaixão aos que sofrem em ações de amor são sinais de uma igreja comunitária.

Podemos nos mobilizar em cruzadas evangelísticas, organizar eventos, realizar grandes viagens missionárias, ser um frequentador fiel dos cultos de domingo e escola bíblica, contudo se nossas ações não priorizam o outro, tudo é desperdício. É Perda de tempo. O máximo que podemos expressar é a nossa religiosidade. Estas práticas são importantes para a caminhada cristã, mas não fazem sentido se a igreja não caminha em comunidade, simplicidade e espírito fraterno.

Gostaria de compartilhar a experiência comunitário do casal de missionários Francisco e Patrícia na periferia de Mamanguape – PB, um lugar cheio de desafios sociais. Em uma visita que fiz à frente missionária da igreja de Cristo, me deparo com uma cena que me deixou feliz e ao mesmo tempo desafiado a viver mais em comunidade. Em sua casa, onde funciona os trabalhos da missão, Francisco e Patrícia acolhem as pessoas da comunidade em sua casa, em sua maioria pobres, reparte o pouco que tem sem reclamar nada a Deus. Deu para perceber como as pessoas são felizes por ter Francisco como missionário naquela cidade.

À tarde me levou para mostrar uma linda horta comunitária (bem simples) onde moradores por algumas vezes se beneficiavam dos coentros e cebolinhas da horta. Me falou sobre uma família que todos os dias vinham buscar coentro e que logo depois descobriram que passavam fome. Uma sopa de coentro aliviava o sofrimento. A Igreja de imediato providenciou alimento para a família.

A atitude simples, mas de forma comunitária de uma pequena igreja de periferia tem muito a nos ensinar. A primeira impressão que temos é que a igreja evangélica precisa se libertar do individualismo. Deve deixar de fazer para si para fazer para os outros. A igreja está mergulhada no consumismo e alienação que a impede de ter um encontro de amor com o próximo. Ainda não se arrependeu. As prioridades ainda estão dentro da esfera da religião onde prevalece as obrigações dos ritos, códigos e dogmas. O ativismo interno também é um forte inimigo. Um grande entrave para a construção de uma igreja comunitária.

Ver a dor do outro e compartilhar o pouco ou muito em tempos de consumo e ideias neoliberais que estão infiltradas na igreja não é uma tarefa fácil. Trabalhar duro e ter sucesso na carreia profissional está na prioridade da agende da maioria dos evangélicos. Ter o carro ou a casa dos sonhos é motivo de realização espiritual, aliás, para muitos de nós é sinal de que somos abençoados. Mas o grave erro da igreja está em não entender que fomos chamados para sermos abençoadores, ou seja, povo comunitário que prioriza o outro em detrimento de si mesmo, que não vê um indivíduo somente mais o coletivo. O termo abençoado perde todo o sentido na vida cristã se a igreja não demonstrar compaixão aos que sofrem no mundo. É preciso ouvir e obedecer a palavra do Cristo. Arrependei-vos!  

Deus vive em comunidade, pois a trindade é comunitária. Ele chama sua igreja para caminhar. Como diz Orlando Costas, “Em Marcha”, na luta contra a maldade que avança no mundo. Uma Igreja comunitária é uma igreja viva, que se move ao encontro das pessoas, principalmente os mais pobres.
Deus seja louvado!       

  
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