segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Os da Religião e os Seguidores de Jesus



 Por Marcos Aurélio dos Santos

A religião é constituída por ritos, dogmas e códigos. No mundo há vários segmentos religiosos, e, dentro das religiões percebe-se uma diversidade neste sentido. Os sistemas são influenciados pela cultura de cada povo. Nenhuma religião, de uma forma ou de outra está imune a influência de outras religiões, inclusive na religião cristã. A religião é uma invenção humana, ela não é de origem divina. Ela já existia antes de Jesus. Por isso Ele foi rejeitado pelo sistema religioso dos Fariseus e considerado um profanador da religião judaica.  

Ser adepto de uma religião é uma coisa, e ser seguidor de Jesus é outra. Em um contexto religioso, podemos perceber a manifestação dos desvios da vontade divina em suas diversas formas.


Os da religião se apressam na busca para satisfazer seus próprios desejos egoístas. Suas palavras e ações giram em torno de si mesmo em detrimento do amor próximo. A satisfação pessoal, a realização de projetos que não inclui o outro, a busca do ter, o sucesso a qualquer custo, são alvos de um indivíduo religioso, pois suas motivações estão centradas no egoísmo, que é contrário ao amor.


Os seguidores de Jesus são diferentes. Eles são comunitários. Em sua caminhada, aprendem a repartir, não constroem sua espiritualidade no que possuem mas entendem que tudo que eles têm de bom, é empréstimo de Deus. Quem caminha com Jesus compreende que o pão não é individual, mas de todos. Assim como Deus é nosso, o pão também é.   


Os da religião valorizam demasiadamente a lei (no sentido de punição) em detrimento do amor. Para um religioso, a lei que pune está acima da misericórdia. Para eles, Deus se agrada daqueles que cumprem rigorosamente os preceitos estabelecidos pelo sistema, ainda que isso custe um ato de injustiça para com o próximo.


Quem enxerga apenas o sistema religioso com seus ritos e dogmas, aborrece a misericórdia, que é uma virtude do amor. Aplicar leis de pena sem misericórdia a todo custo, sem olhar para situação de sofrimento e dor dos esquecidos e dos mais fracos, demonstra a ausência de amor. Foi isto que Jesus propôs para o doutor da lei farisaica ao contar a história do bom samaritano. Para Jesus, acolher o próximo e amá-lo é superior à lei e ao templo. O amor é a marca de identificação do discípulo.


Assim são os discípulos de Jesus. Tem o amor como base para a vida, são imbuídos de misericórdia e estão em uma constante busca para imitar o Jesus de Nazaré. Querem ser em seu dia a dia ser mais parecidos com Jesus. Amam sem a exigência de ser amado, estão dispostos a levar a cruz, decidiram viver não mais para si, mas para os outros.  


Os da religião travam entre si uma disputa pelo poder e glória. Estes não admitem estar em uma posição de baixo escalão, querem sempre estar no topo. São os ególatras da religião. Tudo que acontece no ambiente onde eles dominam deve girar em torno deles, temem seus adversários que porventura possam tomar o seu lugar de honra e poder. São manipuladores e não admitem serem questionados. Querem sempre ocupar os lugares mais privilegiados, as melhores cadeiras e fazem questão de se destacar na aparência entre os demais.


Consideram-se superiores aos outros. Não admitem diálogos que comprometam seu corpo de doutrinas estabelecidas, determinam tudo e se fazem donos da verdade divina. Nestes ambientes as ações dos menores giram em torno de um pedido de permissão que na maioria das vezes são descartadas. A última palavra é sempre de quem está no topo de hierarquia de poder.


Com os seguidores de Jesus não é assim. Não há dominadores e detentores do poder e da verdade. Toda honra e glória é dada a Jesus, o único Senhor de tudo e de todos. Entre os do caminho prevalece a submissão mutua, o serviço, a simplicidade e a humildade.


O que pretende ser o maior, antes seja o menor, e o que busca ser o primeiro, deverá se contentar em ser o último dentre todos. Em vez de disputa por poder e glória, o discípulo busca ser um imitador de Jesus. Deve lavar os pés uns dos outros, ser servo de todos, usar de misericórdia para com todos, e ser submisso a Deus. Deve ser um profeta multiplicador da paz, da verdade e da justiça.


Na religião há uma total ausência de compaixão pelos que sofrem. O religioso opressor não tem nada a oferecer aos pobres do mundo a não ser seu sistema de opressão. No sistema religioso os pobres são esquecidos porque não tem muito a oferecer, não tem voz e não possuem recursos que atendam aos interesses da religião. Não seria esta a razão que a maioria dos cargos de poder em algumas igrejas brasileiras estão entregues aos mais abastados? Ou seja, grandes empresários e políticos de renome nacional? E se não bastasse, muitas das vezes os pobres entregam os poucos bens que possuem e são iludidos por uma falsa esperança de uma vida próspera.  


Por isso a religião é um dos sistemas de opressão contra o pobre. Só tem acesso aos benefícios e recursos da religião os mais abastados, os que fazem acordos, os que se submetem ao sistema, ou os que comungam com ele.


Quem apoia a opressão do seguimento religioso é amigo da injustiça. Calar-se diante do sofrimento e dor dos sem voz é andar em parceria com a iniquidade. Isto demonstra a ausência da compaixão na religião. Ao oprimido só resta uma alternativa: recorrer ao Deus da justiça, clamar por misericórdia para que a justiça do Reino prevaleça em meio a opressão dos “senhores da religião”.   


Ao contrário, os seguidores de Jesus são os que caminha na trilha da compaixão.  Acolhem o pobre, falam a favor dos que não tem voz, recebem os marginalizados, moradores de rua, homossexuais e prostitutas. Os seguidores de Jesus caminham ao lado dos que sofrem. Os discípulos de Jesus de Nazaré denunciam a opressão e os sistemas dominadores do poder. Estão imbuídos da profecia, não se dobram ao poderio devastador e desumano das trevas.


Os “senhores da religião” buscam viver uma vida de ostentação. Ostentar é o contrário da simplicidade. É o prazer em demonstrar para os outros os bens que possui de forma exibicionista. Os religiosos adoram ostentar. Possuir relógios caros, andar em BMW e HILUX, vestir-se de ternos finos para o culto de Domingo e frequentar hotéis e restaurantes da alta classe. O religioso esbanja seus bens para satisfazer seus desejos de consumo em detrimento dos miseráveis que por muitas das vezes, são encontrados nas calçadas dos grandes tempos. Ostentar é um ato de injustiça contra o próximo.


Quem quer ser seguidor de Jesus não pode viver uma vida de ostentação. Em vez disso, devem conformar-se com as coisas mais simples e repartir. Viver o comum. Compartilhar suas posses com os que sofrem e desprender-se de Mamom, o deus da avareza e da idolatria, identifica os seguidores do homem de Nazaré, o servo sofredor, que não tinha onde repousar a cabeça.   


Então, percebe-se a distância entre ser um religioso e ser um seguidor de Jesus de Nazaré. Não há nenhuma possibilidade de unir as duas vertentes. Só há dois caminhos. Trilhar pelo caminho do Cristo ou da religião. Estes são totalmente opostos. Os de Jesus sempre irão optar pela simplicidade e humildade, pela compaixão, pelo serviço, doando-se ao outro e não se curvarão diante dos desejos do sistema religioso.


Ser seguidor de Jesus é caminhar com Deus e com o nosso próximo.

















 
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário