domingo, 20 de dezembro de 2015

A Igreja Como Serva da Comunidade

Por Marcos Aurélio dos Santos

Servir às pessoas foi uma prática constante no ministério de Jesus de Nazaré. Esta virtude estava impregnada. Longe de ser um departamento de ação social denominacional, seu ministério de serviço caracterizava-se em atos de compaixão. O Cuidado com os que tinham fome (Mc.8.2), com os pobres (Mt.19.21), com os doentes (Jo.11.6), com todos que eram vítimas do sofrimento causado pela injustiça. (Lc.10.33; Mt.18.33; Mc.8.2).  

Foi nas cidades mais pobres da periferia de Jerusalém como Jericó, Cafarnaum, Nazaré e Caná da Galileia que Jesus serviu a muitos. Acolheu os esquecidos, assentou-se ao lado de pecadores e publicanos, visitou os enfermos e os curou, recebeu as crianças pobres em situação de risco e denunciou a injustiça que vinha de Jerusalém.

Em sua maioria, estas cidades estavam esquecidas pela sociedade judaica, principalmente pelos líderes poderosos da religião da política e do comércio. Foi neste contexto de exclusão que Jesus iniciou o seu ministério.

Estas comunidades eram habitadas por pessoas simples. Pequenos comerciantes, pescadores, publicanos (não os chefes, mas os funcionários de baixo escalão da alfandega), agricultores, carpinteiros e outros que praticavam atividades modestas. Apesar da injustiça que permeava nessa localidade, estas pessoas tinham dignidade, por isso, Jesus não praticou um assistencialismo em seu serviço às pessoas, mas acolheu a todos reconhecendo o potencial de cada um deles. Os chamou de bem-aventurados e lhes ofereceu o reino (Lc.6.20).

O que movia Jesus a servir às pessoas não era uma motivação pessoal e egoísta, mas sua visão comunitária. O eixo era o amor. Não se limitava aos belos discursos vazios, apenas de palavras, mas encarnava o Evangelho na vida. Servia sem nenhuma pretensão de ser servido, não reivindicava nenhum direito ou reconhecimento da comunidade, não submetia às pessoas a seus caprichos com a pretensão de destacar-se entre os demais. Não considerava os mais desfavorecidos como pessoas sem valor humano ou sem dignidade. Jesus via na comunidade um enorme potencial na missão de sinalizar o Reino de Deus.

A compaixão estava nas suas entranhas. Em Jesus haviam uma convicção tão profunda sobre seu ministério de serviço, que chegou a dizer: como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos"( Mt.20.28). Em nenhuma situação ostentou, nem tão pouco acumulou, mas como “Deus Servo”, decidiu tomar forma de um humilde servo sofredor. (Fp.2.7). Sempre movido de intima compaixão pelos que sofrem buscou realizar a vontade do Pai, deixando a sua em último plano. Acomodou-se as coisas mais simples e preferiu viver entre os mais pobres. Nosso Deus é o Deus da compaixão e da humildade.

Este ministério de amor diaconal de Jesus deve correr também nas veias da igreja. Somos a Igreja de Cristo no mundo, chamados para ser sal e luz, e, portanto, esta deve ser serva de todos. Sua missão não deve estar centrada em ações reducionistas e egoístas, mas no ministério de Jesus de Nazaré, o servo humilhado. Na comunidade onde estamos inseridos, quer na periferia ou não, devemos seguir o exemplo daquele a quem a igreja pertence, que comprou com preço inegociável, preço de sangue. Nosso chamado como igreja é para ser serva da comunidade. Isso implica em doar-se em ações de amor.

Toda igreja deve ser comunitária pois assim é a Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo trabalham incansavelmente juntos em perfeita concordância e unidade para governar o mundo que antes fora criado. Em sua maneira de viver, a igreja deve compartilhar os benefícios concedidos por Deus a ela. Deve servir porque aquele que morreu por ela foi servo de todos.

A razão da existência na igreja é para glorificar a Deus. Não é essa a missão daqueles que foram chamados das trevas para serem luz do mundo? ( Mt.514). Por esta razão, a prática do bem por meio do serviço e o amor mútuo entre os irmãos é o meio de identificação dos verdadeiros discípulos de Jesus (Jo.13.35). Uma igreja que serve é uma igreja viva, que faz produzir frutos de esperança nos lugares mais áridos da vida, que faz florescer e exalar o aroma de Cristo nos ambientes menos desejados de se estar.

Pergunto, como igreja temos servido às pessoas que Deus nos confiou na comunidade onde estamos inseridos? Temos colocado à disposição do nosso próximo nossos bens, dons e serviços? Temos enxergado a comunidade não como um meio de prática de assistencialismo denominacional, mas como um campo onde podemos demonstrar os valores do Reino por meio da compaixão em serviço?

Se não, há somente um escape. Ouvir e atentar diligentemente para as palavras do Cristo vivo. “Arrependei-vos e crede no Evangelho. ”

Por uma Igreja serva, que em sua maneira de viver imite o Jesus de Nazaré.






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