sábado, 14 de novembro de 2015

Quem é o Nosso Próximo?


Por Marcos Aurélio dos Santos

Todos os dias nos encontramos com diversas pessoas pelo caminho da vida, em todos os lugares. No trabalho, no ponto de ônibus, na escola, no mercado, na farmácia, na igreja onde congregamos onde abraçamos uns aos outros e distribuímos saudações, na rua onde moramos. Nos encontramos com amigos, parentes da família, enfim, sempre estamos passando por, ou nos encontrando com alguém todos os dias.

Nos encontros da vida com as pessoas, há situações que para muitos de nós não é muito agradável, principalmente em lugares periféricos ou em setores onde se aglomeram os que sofrem. Os indivíduos da favela, os moradores de rua, os mendigos que ficam nas portas dos restaurantes e nas calçadas, os homossexuais, os portadores de soro positivo, os bêbados, os catadores de lixo. São poucos os que desejam se encontrar com os ninguéns da sociedade.

Preferimos estar perto dos que são parecidos com a gente, os do nosso gueto. Nos sentimos bem à vontade quando estamos acompanhado dos que frequentam e fazem parte do rol de membro de nossa igreja (de preferência que sejam de nossa denominação), dos que gostam das mesmas músicas, dos que vão aos mesmos restaurantes e que se vestem como nós. Nos sentimos confortáveis com pessoas que não precisamos nos esforçar para acolher e ajudar em alguma necessidade da vida.

Nossa agenda sempre tem prioridades. Reuniões administrativas, cultos, encontros sociais, cafés, trabalho. Uma agenda que exclui os “diferentes de nós”. Nosso tempo é preenchido seguindo o ritmo e a lógica do consumismo e do egocentrismo. Cuidar de si mesmo é prioridade.

Então, nos encontros da vida quem é o nosso próximo? Qual a pista que Jesus nos dá em seu ensino sobre esta questão? Na parábola do Bom Samaritano contada por Jesus, a misericórdia é a chave para ter um encontro com o próximo (Lc.10.37). O nosso próximo é todo aquele que encontramos no sofrimento, é todo o indivíduo que independentemente da situação ou classe social devemos acolher em amor.

Ao contrário dos religiosos (o levita e o sacerdote) que priorizaram sua agenda exclusivamente no templo (Lc.10.31,32), devemos ir ao encontro não apenas dos nossos, mas também dos que não são tão chegados. Nossos irmãos e irmãs em Cristo, os da nossa família, os amigos de longas datas, os pobres, os estrangeiros, os órfãos, as viúvas e todos que sofrem.

Ser próximo tem seu eixo do amor que se desprende de todo sistema religioso. Sempre haverá situações em que seremos desafiados a saber de fato e de verdade quem é o nosso próximo. Se nos aproximamos de uma criança em situação de risco e oferecemos uma oportunidade de segurança, ela é o nosso próximo, se cuidamos de idosos, alimentamos os famintos, educamos os analfabetos funcionais, oferecemos remédio aos doentes e outras ações de amor, cada um destes é nosso próximo.

Contudo se fomos indiferentes a situação de sofrimento das pessoas e amarmos apenas os que nos amam e nos sentirmos confortáveis com a situação em que eles se encontram, o amor de Deus não está em nós e não aprendemos ainda quem é o nosso próximo. Neste sentido, não seriamos apenas religiosos semelhantes ao sacerdote e ao levita narrados por Jesus na parábola do Bom Samaritano?

A compaixão nos move ao encontro do nosso próximo. Assumir um compromisso com as pessoas que Deus nos confiou nos faz entender a profundidade da questão. Compartilhar é amar, é ser comunitário, é servir e não ser servido. Acolher aqueles que são diferentes de nós e que vivem à margem da sociedade é tarefa para todo o cristão. Isto é ser próximo.     






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