sábado, 9 de maio de 2015

A Espiritualidade dos Dois Encontros: Uma outra Santidade



Por Marcos Aurélio dos Santos

Meu coração se alegra em saber que em meio a busca da verdadeira espiritualidade cristã, a igreja começa a dar alguns passo na busca do caminho certo. Por muitos anos a igreja tem se desviado (mas não se perdeu pelo caminho) quanto à procura de uma vivencia que radicalmente expressasse uma fé verdadeira no Cristo. Perdeu o rumo na busca da santidade. Esta se caracterizou na história em um reducionismo, limitando-se apenas a santidade particular ao indivíduo.  


Como igreja, nossa história é pontuada pelo esforço pessoal em uma relação com Deus na linha unicamente vertical em detrimento de um encontro com o próximo na dimensão do horizonte. Um cenário que caracteriza-se pelo individualismo, sem perspectiva comunitária, sem a possibilidade de uma relação com o outro. Uma conversão a Deus, porém longe do outro.


Entretanto há sinais de uma nova santidade, uma santidade de dois encontros. Com Deus e com o nosso semelhante.


Gradativamente a igreja vem construindo um novo paradigma de santidade que tem sua base no Velho Evangelho proferido pelas palavras de Jesus. O novo mandamento que quebra o velho paradigma religioso do individualismo na santidade.


Do próprio Cristo é proferido:


“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”. (Mc.12:30,31)


Este é o maior de todos os mandamentos para a busca da espiritualidade pois não há outro que o supere. Amar a Deus implica diretamente e de forma radical em amar o nosso próximo sem esperar nada em troca, sem impor condições ou limites, apenas amar por amor, como Jesus amou. Isto é inseparável, impossível de divorciar. São duas faces da moeda. Assim como na lei da física tempo e espaço estão entrelaçados, amar a Deus e ao próximo também estão. Ambos são inseparáveis. Se assim não for, a verdade não está em nós. 


Então, o sentido da verdadeira espiritualidade cristã completa-se quando temos um encontro com o próximo. Uma santidade que vai além do cumprimento de ritos e dogmas. Uma nova vida que é demonstrada em nosso dia a dia na relação com as pessoas. No bairro onde moramos, no trabalho, na sala de aula, em fim, em todos os lugares onde tivermos a oportunidade de encontro com o próximo para demonstrarmos o amor de Deus.


Com olhar esperançoso, ainda que em meio a tantos desafios, emerge um novo modo de viver a vida em Cristo. Muitas de nossas igrejas tem por meio do diálogo e reflexão bíblica encontrado novos horizontes, construído paradigmas que desafiam a igreja a um retorno ao Evangelho do Reino.

Igrejas que decidiram ir ao encontro do próximo, libertando-se da “paralisia religiosa” e do egoísmo, arrependeram-se do que em sua história deveriam ter feito e não fizeram. Obedeceram o maior mandamento dentre todos, decidiram amar o outro como Jesus amou. 


Ouviram Jesus batendo a porta e resolveram abrir para que Ele tomasse parte da vida e comunhão da Igreja. Nestas igrejas Cristo encontrou morada. Entenderam a mensagem do Reino. Cristo está atuando no mundo, na história, Cristo está em nós. Ele reina sobre tudo e todos. Se estamos em Cristo, inevitavelmente ele habita em nosso ser. 


Esta é a nossa oração. Que venha o teu Reino, Senhor Jesus, que a tua igreja possa no poder do Espírito Santo sinalizar o teu governo no mundo até a consumação de tudo. Que o teu amor possa transbordar em nós, que a tua justiça se manifeste por meio de nós aqui e agora, que tu, nosso Deus e criador de tudo, possa encontrar morada em nós e habite. Que tudo seja para a tua glória. Amém.    








Reações:

0 comentários:

Postar um comentário