domingo, 15 de setembro de 2013

Jesus e a Ceia: Oficiante e Objeto de Sacrifício

Por Alcides Silva


Há pouco me foi feita a seguinte pergunta: em relação à Ceia do Senhor, como você entende que Jesus também participa da Ceia sendo Ele o Cordeiro? Fui formulando as seguintes questões:


1. A união Hipostática: no Concílio de Calcedônia, em 345 d.C. a ortodoxia eclesiástica concluiu que Jesus é possuidor de duas naturezas que não se separam e não se misturam. Nelas admitimos que Cristo é plenamente humano e plenamente divino. Mesmo sendo apenas uma pessoa;
2. Ele era o único que tinha uma visão nítida do que se processava naquela memorável noite de páscoa. Apenas ele no ambiente sabia de fato o que aquele momento representava e qual a visão do Reino de Deus;

3. O mestre inicia inaugura a igreja de Cristo com uma ação representadora de humildade igualando-se aos demais participantes da mesa. É uma mensagem de caráter corporativo e social;

4. Pensando nas idéias judaicas da Carta aos Hebreus, ele foi apresentado como sumo-sacerdote (escolhe, inspeciona e declara a ovelha pura e digna de sacrifício) – representante máximo de Deus e mediador entre o humano e sagrado – e cordeiro (primogênito, branco e sem defeito) – a quem a vida é ceifada em virtude de sua pureza conforme determina o cerimonial –, oficiante pela expiação e sacrifício, concomitantemente;


5. Do ponto de vista histórico, Deus em Jesus Cristo celebra o último-eterno pacto, o pacto da maturidade: a igreja. Jesus celebra a ceia como sinal de representação física de Deus, Emanuel (עמנואל, "Deus está conosco") é um nome profético que se referia à vinda do ungido de Deus, assinando o pacto com sangue entre si e sua igreja.


Percebe-se, então, que o ato em si traz mais informações implícitas do que imaginamos porque mistura-se à simbologia dos ritos judaico-cristãos. São de caráter teológico, místico, sócio e filosófico.
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