terça-feira, 23 de julho de 2013

Orando Com Jesus

Por Marcos Aurélio dos Santos

Texto: Mateus. 6.9-13

INTRODUÇÃO:

Martinho Lutero declarou: ”tenho tanto o que fazer que não posso prosseguir sem passar três horas diariamente em oração.” Disse também João Wesley: “Deus nada faz em resposta à oração”. Todo cristão sincero, sabe que a oração é um dos meios pelos quais podemos ter um relacionamento mais íntimo com Deus. Os apóstolos demonstraram essa isso quando foram tentados a se envolver com outras responsabilidades. Eles entenderam que não era razoável deixar a palavra e a oração, para resolver questões sociais, pois haviam pessoas disposta para esta tarefa (At.6.4).

Em certo momento quando Jesus ensinava, um dos seus discípulos, lhe pediu que lhes ensinassem a orar Mt. 6. 9-13. Falhamos quando deixamos de colocar Cristo no centro de nossas orações, e passarmos a centralizá-las no homem, tornando-a uma oração antropocêntrica. Então, qual o modelo de oração que Jesus espera dos seus discípulos, e qual deve ser a motivação do nosso coração quando orarmos ? Gostaria de compartilhar com os amados o ensinamento de Jesus à cerca da oração. 

EXPOSIÇÃO:

1. É UMA ORAÇÃO QUE VÊ A SANTIDADE DE DEUS (v.9b).

Ela não leva consigo o pecado da arrogância espiritual (fariseus), mas busca a santidade (v.9b). A frase “santificado seja o teu nome” ensina que o cristão deve se aproximar de Deus em oração tendo convicção de sua natureza pecaminosa com capacidade de enxergar a santidade de Deus. A parábola do fariseu e do publicano (Lc 18. 9-14), nos dá luz, para compreendermos melhor, o que o Senhor Jesus espera ver no conteúdo de nossas orações. 

Enquanto o fariseu se auto justificava em sua oração, menosprezando o publicano em tom de exaltação (v.11,12), o pecador cobrador de impostos vendo a santidade de Deus, não queria nem levantar os olhos ao céu, mas batia no peito pedindo a Deus misericórdia (v. 13). A disposição do publicano na sua oração de reconhecer seu estado de pecador recebeu resposta positiva da parte de Jesus. Ele ensina aos discípulos nesta parábola, que o publicano voltou justificado para sua casa (v.14).

A atitude do publicano de pedir misericórdia, reconhecendo sua incapacidade de reconciliar-se com Deus por seus próprios méritos, foi o bastante para que Jesus o ouvisse. Ao contrário do fariseu, exaltado, confiando na observância da lei (v.12), o publicano em sua oração expressa uma atitude de humildade quando bate no peito, e reconhece o seu estado de pecador (v.13).

O salmista Davi em meio aos salmos e orações exprimiu bem essa verdade bíblica. Ele entendia que o conteúdo das orações e dos salmos que escrevia, não poderia estar vazio de palavras que reconheciam a santidade de Deus (Sl 20.6;22.3;30.40;97.12;99.3-9;103.1).

IMPLICAÇÕES PARA NÓS:

Semelhantemente, em nossas orações, devemos nos aproximar de Deus olhando para a sua santidade, reconhecendo nosso estado de pecador. Não devemos confiar em nosso conhecimento a cerca das escrituras e nem pelo fato de termos certo tempo como membro de uma determinada denominação, mas orarmos com humildade, confessando ao senhor nossos pecados, com desejo sincero de buscar a santidade. 

Orações que são motivadas pelo orgulho espiritual, em que o orador invoca todo poder e autoridade, trazem consigo o pecado da exaltação e soberba. Não seria esse tipo de oração que temos visto em nossos dias nos oradores de movimentos neo-pentecostal, onde em meio às orações derrubam os irmãos com o “sopro do espírito”, o paletó com poder de fazer toda uma igreja cair, e outras manifestações estranhas ao ensinamento do novo testamento?

Creio que um cristão sincero pode ser tomado pelo Espírito Santo e sentir sua presença de forma poderosa, no entanto, Entendo que se deve avaliar a origem dessas manifestações e ver qual a motivação dessas orações. Jesus disse a Nicodemos que semelhantemente como o vento que é imprevisível e invisível (sopra aonde quer), o Espírito Santo opera e usa os seus servos segundo a sua soberania. Conclui-se que o Espírito Santo é soberano para soprar quando quer e onde quiser, ele não se submete às orações nem aos sopros dos homens.

Analisando o contexto do cap. 6 do evangelho de Mateus, Jesus adverte os seus discípulos a não orarem como os hipócritas, que em suas orações, faziam questão de serem vistos pelos homens (Mt 6.5), ele também os adverte a não orar com vãs repetições, como fazem os gentios que observavam a prática dos rituais do paganismo antigo. Jesus ensina que não há necessidade de vãs repetições (rezas, rituais sem fé) porque antes de pedirmos, pela sua onisciência e soberania, ele sabe das nossas necessidades (Mt. 6.8).

Orações que buscam exaltação motivada pela soberba do coração com a finalidade de tomar o lugar de Deus, são puro desperdício, não tem valor algum, na verdade esses já receberam o seu galardão (Mt. 6.5b). 

É lamentável ver em algumas das manifestações públicas no meio pentecostal, "profetas e profetizas" revelarem por meio de uma "profecia" problemas relacionados a enfermidade, financeiro e de ordem conjugal, afirmando que Deus vai libertar,e "profetizando" que esses irmãos estão acorrentados e precisam ser libertos pois entendem que estes estão aprisionados pelo diabo e precisam ser libertos. 

O resultado negativo, é que no futuro, essas “profecias” não se cumprem, agravando mais ainda a situação causando duvidas e enfraquecendo a fé dos irmãos fazendo-os entender, que ainda estão presos por essas correntes. É importante notar, que a orientação de Tiago com relação a irmãos enfermos na Igreja, é que chamem os presbíteros para que orem pelo enfermo em nome do Senhor (Tg 5. 14,15). Não há nenhuma sugestão na passagem para afirmar que os presbíteros revelavam as doenças dos irmãos que estavam enfermos, como se vê hoje em algumas reuniões de igrejas.

Tais oradores não se preocupam com a fé das pessoas e não enxergam a santidade Deus. Orações como estas levam consigo o pecado da arrogância espiritual, ela não vê a santidade de Deus, é uma oração antropocêntrica, ela centraliza-se no homem, esta não é motivada por um coração humilhado e quebrantado diante do altar de Deus, é uma oração que não tem como propósito glorificar a Deus e edificar o corpo de cristo. Portanto, oremos com entendimento (1 Co 14.15a).

Nossas orações devem ser regadas com confissão de pecado, submissão, e amor a Deus e ao próximo, esvaziadas de toda raiz de amargura (Mt. 5. 23-24; Hb 12.15) na dependência do Espírito Santo, que intercede com gemidos inexprimíveis, consertando os pontos fracos da nossa oração (Rm 8.26). Por causa da nossa natureza pecaminosa, não sabemos pedir como convém, muitas vezes pedimos mal para gastarmos em nossos desejos egoístas, sem ver o outro (Tg 4.3). Entretanto se estivermos dispostos e sermos ajudados pelo Espírito Santo, no momento oportuno de Deus, nossas orações serão atendidas.

2. É UMA ORAÇÃO QUE DEPOSITA SUA ESPERANÇA NO AQUI E ALÉM (v.10a)

Jesus ensina nessa passagem do texto que em nossas orações, deve haver também forte desejo que seu Reino seja estabelecido na terra. A “frase” venha o teu Reino’(v.10a), nos motiva a orar desejosos não somente por sua vinda, com certeza que ele virá buscar a sua igreja (2Tm. 2.12; Ap.5.10; Ap.20.4-6; Ap.22.11), mas para que por meio da igreja, que é por natureza agente desse Reino,o mesmo seja estabelecido aqui e agora. Nossa oração deve ter em seu conteúdo uma visão Histórica e escatológica motivada por um desejo ardente servir ao próximo e ao mesmo tempo de reinar com Cristo eternamente.

O amor pelo mundo, pois este Deus também amou, e um empenho na evangelização integral, são boas motivações para orarmos e dizer, "venha o teu reino". As palavras de conforto do Senhor Jesus aos seus discípulos quando estavam com o coração atribulado (pelo fato de Jesus ter lhes falado que brevemente não estaria mais com eles), foi que eles deveriam crer no pai e no filho, e em seguida ele fala da segurança de uma morada eterna com cristo (Jo. 14.1-4).

Havia um propósito de Jesus nessa afirmação. Provavelmente Jesus queria ensinar-lhes que nas tribulações que eles haveriam de passar por causa da justiça, poderiam orar sabendo que elas um dia passariam, e que no futuro, o Cristo os receberia para ele mesmo, e assim estariam para sempre com ele (v.3). Tiago estimula os leitores de sua carta a ter alegria quando passarem por várias provações (tribulações) dizendo que elas produziriam perseverança (Tg. 1.1-3). Eles deveriam se alegrar pelo fato de que as tribulações era resultado de da fidelidade do discípulo em encarnar os valores do reino na terra, e que isto era motivo de alegria pois Jesus já tinha dito que este são os chamados, bem aventurados. 

As perseguições e sofrimentos provenientes da luta pela verdade e justiça seriam recompensados com galardão (Mt. 5.12). Certamente nas orações desses irmãos, em meio às perseguições, havia também forte desejo de estar na glória com o Jesus, livre de todo sofrimento, onde ali não haveria mais morte, pranto, lamento e dor, porque dos seus olhos seria enxugada toda lágrima (Ap.7.17; 21.4). Não era uma oração que pedia a Deus escape das tribulações, mas que depositava sua esperança no Cristo e em seu Reino. 

IMPLICAÇÕES PARA NÓS:

É comum vermos em nossos dias, principalmente na fala dos adeptos da teologia da prosperidade, orações que depositam sua esperança numa resposta positiva de que Deus vai prover com toda sorte de bênçãos materiais. Entre as demais estão: carro do ano, emprego com alto salário, e sucesso nos negócios. Cremos que Deus pode nos abençoar de maneira abundante segundo a sua vontade. No entanto há sério perigo quando na oração, se deposita a esperança no aqui e agora, não levando em conta as bênçãos do porvir. Muitos têm orado motivados pela avareza, com desejo que seus pedidos sejam respondidos rapidamente e que geralmente essas petições limitam-se a esfera temporal.

O conteúdo dos testemunhos é marcado por frases tipo. “Minha vida foi totalmente transformada! agora tenho um carro zero na garagem, e já penso no ano que vem trocar novamente, louvado seja o nome de Jesus!”. 

Mas no Reino não é assim. O Evangelho tem poder para transformar vidas, e foi para isto que Jesus morreu na Cruz, e esta transformação não acontece naquilo que possuímos, mas em nós. É preciso nascer de novo. Sem este nascimento não podemos entrar e ver o Reino. Devemos orar pedindo que Deus transforme dia a dia a nossa vida, para que aconteça transformação no mundo, e não que acrescente nossos bens ano após ano.   

Há sério perigo nessas orações pelo fato das pessoas que oram assim, chegarem à conclusão que uma vida presente regalada, ou seja, o aqui e agora é melhor do que Reinar com Cristo (Ap. 5.10). Orações que levam juntamente com elas o pecado da avareza distanciam-nos de Deus levando o homem a depositar a sua esperança nas riquezas. Veja a recomendação de Paulo a Timóteo para advertir os ricos avarentos daquela Igreja, a cerca do perigo do amor a riqueza (1Tm. 6.17-19). Pedir mal resulta em gastar em nossos próprios prazeres (Tg. 4.3).

Paulo escrevendo a o seu filho na fé diz que nada temos trazido para o mundo e nada podemos levar dele e que tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes (1Tm. 6.7,8). Quando o cristão vive feliz com o que possui, sem reclamar de Deus, contentando-se com o que ele tem lhe proporcionado, (que seja muito ou pouco, segundo a sua soberana vontade), certamente sua oração será motivada por um profundo agradecimento ao Senhor pela provisão. 

O apostolo Paulo em suas orações certamente entendia e agradecia a Deus pelo fato de que viver para Cristo (vida dedicada em amor a Deus e ao próximo) era maravilhoso, no entanto, ele diz que estar com Cristo é incomparavelmente melhor (Fp. 1.21-23). 

É uma oração com forte desejo também de participar de coisas que ainda não se concluíram no processo da glorificação (Rm 8.18;1co 15.40-43;2Co 3.18).É também desejar que ele reine eternamente, (1Co 15.25; Lc. 1.33; 2Tm. 2.12a; Ap. 11.15-17; Ap.20.4-6). É orar reconhecendo que ele é rei dos reis e senhor dos senhores (1Tm. 6.15; Ap.17.14; Ap.19.16) depositando sua esperança além do aqui e agora (At. 24.15; Rm. 8.21; Tt. 2.13) e não nas riquezas terrenas (2Tm. 6.17).

3. É UMA ORAÇÃO QUE SE SUBMETE À VONTADE DE DEUS SEM EXIGÊNCIAS. (v.10b).

Eu exijo, eu determino, restitui o que é meu, são afirmações que permeiam em nossas igrejas. Basta apenas ouvir algumas músicas de cantores gospel e grupos de louvor do movimento neo-pentecostal, ou nas orações de pregadores da teologia da prosperidade, onde essas palavras tem tido grande poder de persuasão levando muitos a usarem esta afirmação em suas orações.  

No entanto, devemos examinar as escrituras, para ver qual a motivação dessas orações e se elas estão de acordo com o ensinamento de Jesus a cerca da oração. Nessa parte da passagem do cap.6.9-13 do evangelho de Mateus, Jesus ensina que nossa oração deve estar de acordo com a sua soberana vontade, ou seja, tudo que pedimos a ele deverá passar pelo crivo de sua soberania. O poder não está na oração, mas em Deus, fonte de todo o poder. 

“Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu (v.10b)”. É uma oração em que o individuo que ora, reconhece que Deus é soberano na terra e no céu e que ele responderá segundo sua vontade. Na oração do Getsêmani, Jesus viveu na prática o que tinha ensinado a seus discípulos no sermão do monte. Com a alma profundamente triste até a morte (Mt. 26.38-39), ele se submete não a sua vontade, mas a vontade do Pai (v.39b).

O cálice não de benção, mas do sofrimento (ele falava da sua crucificação) não deveria passar, para que fosse feita a vontade do Pai, e que se cumprisse as escrituras (Mt.26.39,42;Iz.53.4-12). Mesmo em meio ao sofrimento daquele momento, Jesus orou em total submissão a vontade do Pai.

O apostolo Paulo escrevendo aos irmãos da igreja de Roma, expressa seu profundo desejo de estar perto deles. No entanto ele diz que espera em súplica e orações pela vontade de Deus para que essa visita aconteça (Rm. 1.10). Concordando com sua oração, Paulo submetia o seu ministério à soberana vontade de Deus (1Co. 1.1; 2Co. 1.1; Ef. 1.1). Ele também diz que nossas petições estão sujeitas a soberania do Espírito Santo pelo fato de não sabermos orar como convém (Rm. 8.26).

Estaremos sempre dependentes da ajuda do Espírito em nossas orações, como intercessor, que conserta os pontos fracos das mesmas. Ele assiste as nossas fraquezas (limitações humanas), porque somos pecadores (1Jo. 1.8-10; Rm. 3.23) sujeitos a pecarmos inclusive na oração. Para sermos ouvidos é necessário pedir segundo a sua vontade (1Jo. 5.14) e a sua vontade está intimamente ligada a sua soberania (Ap.4.11). 

IMPLICAÇÕES PARA NÓS:

Entendo que toda oração deve estar debaixo da soberana vontade de Deus e não acima dela, como ensina as escrituras quando ela diz que não sabemos orar como convém e que o Espírito Santo na sua soberania intercede por nós nas nossas fraquezas em meio às orações (Tg. 4.3; Rm. 8.26). Portanto, devemos observar algumas implicações de extrema importância quando estamos diante de Deus para pedir-lhe alguma coisa.

Primeiro, devemos chegar a Deus em oração na condição de servo, submisso a sua vontade e esperar a resposta a seu tempo confiando na sua soberana vontade, não exigindo de Deus, dando-lhe ordem, como se ele fosse o servo e nós senhores.

O servo não pode exigir nada de seu Senhor porque a ele pertence a terra, o mundo, e todos que nele habita (Sl. 24.1; 89.11), ou seja, não podemos orar cobrando de Deus, exigindo restituição porque nada nos pertence, ele é o dono de tudo e não nós. Como Paulo escreveu a Timóteo dizendo: porque nada temos trazido para o mundo, nem ciosa alguma podemos levar dele (1 Tm. 6.7). As expressões exaltadas nas orações dos pregadores da teologia da prosperidade como, restitui agora o que é meu e, eu determino, como se Deus fosse devedor deles, traz consigo sério perigo. Esta tenta submeter Deus a vontade humana.

Expressões desse tipo em meio às orações vão contra os princípios bíblicos da soberania de Deus. A criatura não tem o direito de tomar o lugar do Criador, se colocando acima da sua soberania. Somente ele é soberano sobre tudo e todos (Sl 24. 1). Nesse caso, a oração leva consigo o pecado da arrogância e da soberba (1Jo. 2.16; 2Pe. 2.18; 2. Tm. 3.2). Devemos chegar a Deus em oração com humildade, humilhados (Mt. 23.12; Lc. 14.3; 18.3; Mt. 5.3; Mt. 18.4; Tg. 4.6). Dependendo da sua vontade (Mt. 6.10) sem exigir, pedindo ajuda ao Espírito Santo (Rm. 8.26). 

Segundo, textos que ensinam que Deus responde tudo que pedimos na oração em nome de Jesus como (Mt. 21.22; Mc. 11.24; Jo. 14.13; 15.16; 16.23) devem ser entendidos a luz de outros textos que ensinam sobre a soberana vontade de Deus em resposta as orações.

Muitos pregadores têm usado textos fora do contexto para sustentar o ensino que tendo fé, pode pedir tudo que quiser e Deus inevitavelmente responderá, e se caso não houver resposta positiva da parte de Deus, o individuo não teve fé na sua oração. Na verdade a Bíblia ensina que sem fé é impossível agradar a Deus e que o crente viverá pela fé (Hb. 10.38; Gl. 3.11; Rm. 1.17; Hb. 11.11). No entanto, devemos entender que a fé que nos foi dada (1Co. 12.9; Ef. 2.8) está estreitamente ligada à soberana vontade de Deus. 

Terceiro, nossa oração deve submeter-se a soberana vontade do Espírito Santo. A natureza pecaminosa que está em nós herdada em adão (Rm. 3.8; 5.12), faz com que nossas orações levem consigo, em algumas vezes, motivações pecaminosas como, orgulho espiritual, egoísmo e falta de submissão.

Havendo necessidade da ajuda do Espírito para que a oração nos aproxime de Deus (Rm. 8.26). Essa velha natureza que Paulo chama de “carne” (Gl. 5.16-17; Ef. 2.3) quer queiramos quer não, se manifesta em várias áreas da nossa vida. Ela pode ser vista em nosso comportamento, no falar e até mesmo quando estamos estudando as escrituras. Sujeito ao perigo de interpretá-la de forma errada. Semelhantemente acontece na oração. Essa mesma natureza muitas das vezes, nos impede de compreender a soberana vontade de Deus em resposta às orações. 

São estas implicações que nos fazem entender o que Paulo e Tiago queriam dizer aos irmãos daquela época, ensinando que eles não sabiam orar como convém, e que pedimos mal para gastar com os nossos próprios prazeres (Rm. 8.16; Tg. 4.3). Portanto, fica claro para nós entendermos porque o Senhor Jesus enviou o seu Espírito Santo para também interceder por nós na oração. Devemos estar dispostos a sermos ajudados por ele, sendo beneficiado pela sua poderosa intercessão com gemidos inexprimíveis, consertando os pontos fracos da nossa oração.

4. É UMA ORAÇÃO QUE PEDE PÃO PARA PARTILHAR COM TODOS (v.11). 

Pai nosso e pão nosso. Essas duas expressões usadas por Jesus neste ensino sobre a oração nos faz entender que o discípulo deve orar motivado pelo espírito comunitário. Deve pedir o pão não só para ele, mas para todos pois a todos pertence. Assim como Deus é de todos,e enviou seu filho para que todos sejam salvos, o pão não é exclusivo, mas comunitário. 

Então, este senso de comunhão deve estar na prática diária de qualquer igreja. Ninguém deve considerar o que tem, propriamente seu. Ajuntar para si não expressa a comunhão que manifesta a presença de Cristo na comunidade. A partilha do pão tem como objetivo, expressar na prática o amor de Jesus, e quem ama não se conforma com a desigualdade social, mas repartindo tenta combatê-la. 

Todos devem participar do pão porque Deus aborrece a desigualdade e injustiça. Ele é Justo e reta é a sua justiça. Não aceita suborno e não se deixa enganar, abomina todo tipo de tirania, pois ama os que sevem com amor. Acolhe o pobre, olha com atenção e cuidado para os injustiçados, em sua encarnação, como o servo humilde serviu a todos, comeu e bebeu com os marginalizados e assentou-se à mesa aproximando-se dos que de alguma maneira eram excluídos pela sociedade.   

   
5. É UMA ORAÇÃO QUE LIBERA PERDÃO (v.12, 14,15).

Na conclusão do ensino de Jesus sobre a oração, ele nos motiva a chegar diante do pai com coração perdoador, livre de toda raiz de amargura (Hb 12.15; Ef. 4.31). A condição que Jesus coloca para que haja perdão da parte de Deus na hora da confissão, é perdoar as ofensas dos homens, caso contrário, Deus não perdoará as nossas ofensas (v.14-15).

Nessa parte do texto, ele ensina que um coração que não tem a disposição para perdoar o irmão, consequentemente não terá motivação para confessar os seus pecados de forma sincera diante do pai. Na parte anterior do sermão do monte, ele tinha ensinado aos seus discípulos, de que maneira eles deveriam se aproximar de Deus para ofertar diante do seu altar. Ele explica que, se alguém tivesse alguma coisa contra um irmão no caso, seria intriga, inveja, ciúme, pecados que atrapalham o bom relacionamento entre os irmãos, deveria ir ter depressa com ele buscar reconciliação (Mt. 5.23.26).

Um coração cheio de rancor, com raiz de amargura, não poderia oferecer oferta ao Senhor. O ritual não poderia ser concluído, enquanto não houvesse reconciliação entre ambas as partes, a oferta deveria ser deixada no altar até que o problema fosse resolvido. É bem provável que Jesus queria ensinar aos seus discípulos, que a oferta a Deus, deveria ser motivada por um coração humilhado diante do altar, sem hipocrisia, prática que os judeus tinham perdido, influenciados pelo falso ensino religioso dos fariseus.

Observando de uma forma geral, o ensino de Jesus no sermão do monte, ele tem como alvo ensinar a verdadeira espiritualidade. Práticas como a oração, o jejum e esmolas, deveriam ser motivadas por um coração adorador com propósito de glorificar a Deus. Um coração que perdoa as ofensas do irmão, sem levar em conta o mal que lhes fazem (1Co 13.5b), que não guarda ressentimentos (Hb. 12.15), certamente orará bem, ele ora confessando seus pecados com a certeza de que Deus o perdoará. Irmãos que permitem que o amor de Deus os encha de forma abundante poderão orar com amor, intercedendo pelo seu irmão, até mesmo por aqueles que lhe ofendeu (Mt. 5.44; Lc 6.27).

CONCLUSÃO:

Queridos, que nossas orações sejam completamente esvaziadas de toda intenção pecaminosa, que seja uma oração onde Deus é o centro e não o homem, que possamos dia após dia, estarmos mais submissos à sua vontade porque antes de pedirmos, ele sabe do que precisamos. Orar bem, é orar com entendimento, é orar submissos à vontade de Deus de baixo da sua soberania. Amém!

BIBLIOGRAFIA:

BÍBLIA SAGRADA. On-line Versão 2G – 1996.

CONCORDÂNCIA BÍBLICA ABREVIADA. Edição contemporânea, E.U.A.1992. 287pp.

CONCORDÂNCIA BÍBLICA. On line versão2G – 1996.

BÍBLIA SAGRADA. Bíblia de estudos Shedd. São Paulo: ed. Vida Nova, 1998. 1786 pp.

BÍBLIA SAGRADA. Edição corrigida e revisada. São Paulo: sociedade bíblica trinitariana do Brasil, 1994. 1361pp.

FOSTER, Richard. j, Celebração da Disciplina, São Paulo: ed. Vida 1983, 240 pp.

LOPES, Augustus Nicodemos, O Culto Espiritual, São Paulo: cultura cristã 1999, 253 pp.
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