domingo, 10 de julho de 2011

O Desafio de Ser Luz do Mundo

Por Marcos Aurélio Dos Santos


exemplo de outros ensinos de Jesus de Nazaré no sermão da montanha, a proposta de Jesus tinha como alvo levar os discípulos a refletir sobre o papel que eles deveriam desempenhar em sua missão, e isto foi para eles um grande desafio. O obstáculo estava em libertar-se do sistema religioso do judaísmo onde o separatismo, as distorções na interpretação da lei e uma santidade focada na individualidade e exterioridade, os afastou do propósito de Deus de libertar um povo escolhido por ele.

No capitulo cinco, versículo quatorze do evangelho de Mateus, Jesus compara o discípulo a uma cidade edificada sobre um monte. A comparação tem como objetivo provocar uma discussão entre os discípulos sobre a importância de serem vistos pelo mundo como suas testemunhas, com um novo modo de vida que demonstrasse os valores do Reino de Deus. O texto me faz lembrar algumas viagens que fiz a região do Seridó e no sertão do Rio Grande do Norte, onde pude visualizar algumas casas nos altos das serras a quilômetros de distancia. Certamente, na história daquela região, milhares de viajantes tiveram o privilégio de visualizar as lindas paisagens serranas tão visíveis aos olhos. Venho a pensar. O discípulo por meio das boas obras deve brilhar como a luz nas casas edificadas no alto das montanhas. 

Jesus continua ensinando, que ao exemplo da casa no alto serrano, não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de um cesto, mas no velador para que toda casa seja iluminada (Mt.5.15). A luz tem por finalidade iluminar em meio a escuridão. Colocá-la debaixo do alqueire, recipiente usado na antiguidade para medir certas quantidades de grãos, neutralizaria sua função de clarear a casa. Colocá-la no velador (instrumento de madeira onde se colocava a candeia) seria a atitude correta, pois todos seriam beneficiados com a luz.

O propósito de Jesus em fazer essas comparações, deveria levar os discípulos a mudar sua maneira de ver e viver o Evangelho na prática. Eles não deveriam permanecer apenas no discurso, leituras ou gestos confinados em seu gueto religioso. Deveriam Pregar o evangelho das boas novas, além das palavras, acompanhado de uma vida de pratica diária. Os ensinos do mestre deveriam ser encarnados no dia a dia, na caminhada dos discípulos.

Nessa parte do sermão da montanha, Jesus já apontava para acontecimentos futuros a cerca da obra poderosa do Espírito Santo nos discípulos. O evangelista João relata que Jesus é a própria luz (Jo.1.4-5). Essa impressionante revelação nos leva a refletir sobre a promessa de Cristo de que no verdadeiro cristão habitaria o consolador que por sua vez, haveria de se manifestar com o brilho das boas obras no mundo (Gl.5.22-23; Tg.4.5; Jo.14.23). Amor, misericórdia, serviço, compaixão, domínio próprio, mansidão, paciência e dentre outras, devem ser vistas pelos homens e, com efeito, testemunhariam de Cristo ao ver tais obras de amor.

Em uma desafiadora missão na cidade de Antioquia, Paulo e Barnabé foram constituídos por Deus para serem luz para os gentíos (At.13.47). O Médico Lucas nos informa que eles estavam convictos de sua chamada de ser luz do mundo visto que suas pregações acompanhadas de prática de vida cristã, causaram efeito transformador na vida dos moradores daquela cidade  por meio do Espírito Santo. Era uma Igreja cheia do Espírito (At.13.48-49). 

Ser luz é fazer diferença pois amar é fazer pelo outro. Somos desafiados a viver uma vida nova, de maneira que o mundo veja o brilho de Cristo em nós. Não o reflexo da aparência, da auto-justificação de uma religiosidade farisaica, mas uma luz que demonstra o caminho de Jesus de Nazaré, partindo de dentro para fora, algo que precisa ser exteriorizado na prática da vida diária. Amando em serviço, perdoando até os inimigos, acolhendo os pobres, admoestando os indecisos, falando a verdade um ao outro em sinceridade amorosa, suportando e levando o peso dos mais fracos em comunidade. Isso é luz para o mundo.

A candeia debaixo do cesto perde seu valor por não beneficiar os que estão dentro da casa. Precisa estar no lugar  apropriado, para o qual ele foi designado para estar. Por muitas vezes nos comportamos como os monges da idade média, confinados em mosteiros e isolados da sociedade.Quase tudo acontece nas dependências de nosso gueto religioso. Frequentamos rigorosamente os cultos semanais, temos habilidade para realizar programações festivas como aniversários e outros, nos reunimos para tratar de questões administrativas, mas são poucos os que se dispões a sair das para fora das portas. Nos tornamos individualistas. 
  
Nosso chamado implica em encarnar o evangelho do Reino de Deus. Viver de maneira comunitária, em serviço ao próximo, lavar os pés das comunidades. Refletir sobre nosso compromisso cristão em um mundo onde o mal avança. Somos promotores do bem, da graça de Deus. Somos do caminho, do seguimento de Jesus de Nazaré, que caminhou com os pobres e marginalizados. Que seja luz, que seja amor. 
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