terça-feira, 31 de maio de 2011

Os Donos Da Igreja


Por Félix Dantas

 A sucessão pastoral1 é o processo pelo qual um pastor é levado pela igreja local, na maioria das vezes, orientada por um pastor interino ou por missionário a assumir esta igreja e substituí-lo como pastor efet A primeira questão por ser observada é: “qual o tempo2 em que pode ser feita a substituição!” Ouvimos falar de uma igreja que levou meses, mas depois teve que refazê-la, pois a mesma igreja que escolheu veio a dispensar o obreiro; todos haviam se enganado. Há outra que levou aproximadamente oito anos, porém; como a primeira, foi levada a refazer o processo, pois também havia se equivocado. Outras fizeram este processo com muito ou pouco tempo e foram mais bem sucedidas. O tempo em meses ou anos não foi a principal questão.
            
Outra questão que também pode ser observada é a pessoa do pastor a ser escolhido: “Terá este obreiro as credenciais3 da bíblia ou da denominação, terá um currículo apreciável e esperado pela igreja ou será um lobo4 em pele de ovelha? Terá este obreiro experiência com igreja, ao menos com uma ou será um veterano das guerras do Senhor, passado e experimentado em diversas igrejas pelo país afora? E qual o peso desta questão no processo de sucessão pastoral?
           
 Entretanto, existem duas pessoas que também podem ser observadas; a primeira é a pessoa da igreja local: “Esta igreja quer realmente um pastor efetivo, que possa pastoreá-la e orientá-la com a direção e graça de Deus ou estará ela satisfeita e confortável na interinidade? Esta igreja tem sido bem assistida na interinidade apesar da ausência do pastor interino e das suas limitações físicas e temporais? Terá ela de alguma forma sofrido pelas dificuldades deste processo por vezes necessário, mas sempre complicado? Estará a igreja feliz completamente com a interinidade ou há apenas uma pequena parte satisfeita em detrimento de outros que são esquecidos, desassistidos, pois não são e nem tem como ser visitados, discipulados, acompanhados de perto, etc. – haja vista ser impossível alguém ocupar dois lugares ao mesmo tempo; excetuando-se Deus, obviamente!
           
A segunda pessoa que podemos observar é o missionário que esteja fazendo o processo de sucessão pastoral ou o pastor interino – considerando que ambos podem desenvolver este processo, além de igrejas onde líderes leigos também exerceram esta função tão importante: “Estarão esses obreiros dispostos a esperar a vontade de Deus para a igreja carente de um pastor titular ou eles têm alguma pressa? Eles buscarão em Deus um nome que corresponda às necessidades da igreja ou eles confiarão em seus conhecimentos e experiências? Terão eles a coragem de investir em algum obreiro ou esses orientadores terão as suas preferências?

Soube de um pastor muito experiente que quis levar um jovem pastor à igreja que ele realizava o processo de sucessão pastoral, porém; o jovem pastor preferiu ir para outra igreja em outra cidade! Estaria o experiente pastor certo e o jovem equivocado ou Deus não disse o nome direito para o experiente e vivido pastor? Estaria o jovem certo e o pastor experiente equivocado ou Deus não falou ao jovem pastor, haja vista ele ter ido para outra igreja e ter sido nela efetivado? Quiçá estejam os dois certos e a igreja local é que não soube entender a vontade de Deus? Será que precisamos mesmo de tantos será?
            
Uma última questão para encerrar definitivamente com esse será: “O problema não está em Deus definitivamente, mas sim em nós pecadores – se é que os pastores também são pecadores e erram e se enganam muitas vezes até com relação à santa vontade do Senhor!
           
 Agora imaginemos esse texto lido todo domingo durante um ano, depois dois anos, três anos, quatro anos... oito anos!!! Pense agora nele lido de forma tradicional5, denominacional6, com direito a apelo e tudo o mais! Tente agora fazer um esforço mental pra entender o lado dos não discipulados, dos esquecidos, dos não visitados, e dos que jamais serão; senão numa sucessão de dez anos ou mais e que então já será ministério, até porque existem igrejas que têm este tempo de igreja formada! Faça um esforço um pouco maior e pense agora nos poucos irmãos satisfeitos e que são capazes até de convidar o pastor interino a ser pastor titular ou comodamente esperar pela experiência e lucidez do pr. responsável por esta árdua missão! Antes que você queira desistir de ler esta enfadonha perspectiva, ore comigo, pois a igreja da qual eu sou membro vive a quase quatro anos este maravilhoso processo de sucessão pastoral – tão enfadonho7 quanto essa apreciação deste processo.


NOTAS:

1. Sucessão: Ato ou efeito de suceder; seqüência de pessoas ou coisas que se sucedem ou se substituem sem intervalos ou com breves intervalos; etc.
1.1. Pastoral: Relativo ao pastor; principalmente protestante.

2. A Bíblia fala sobre dois tempos: o de Deus e o do homem! Na maioria das vezes são diferentes, por causa do pecado do homem.

3. As credenciais do obreiro encontram-se principalmente nas cartas paulinas aos jovens pastores Timóteo e Tito.

4. A Bíblia também fala sobre pastores que apascentam a si mesmos, que não pastoreiam e nem cuidam das ovelhas sejam eles titulares ou efetivos!

5. Relativo às tradições.

6. Relativo às denominações.

7. Enfadonho, relativo a cansaço; que aborrece, que traz insatisfação.

Félix Dantas, membro da IBPA e Evangelista em Nova Esperança.
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