sábado, 16 de abril de 2011

A Parábola Dos Dois Devedores




Por

Romildo Gurgel

LEITURA BÍBLICA: (Lc.7:36-50)

INTRODUÇÃO:
Cada evangelho relata o caso de uma mulher que ungiu os pés de Jesus, mas o caso que Lucas conta não é o mesmo que os outros. Mateus, Marcos e João contam o caso de Maria, e a localidade é Betânia. Já Lucas fala de uma mulher pecadora sem mencionar-lhe o nome, e a localidade é Naim (vd. Lc.7:11)

I – PANO DE FUNDO HISTÓRICO

Tudo indica que o cenário onde ocorreu a parábola foi em um dia de Sábado, quando Jesus pregara durante o culto da manhã, em uma sinagoga local. Era considerado um privilégio um pregador visitante para jantar na casa de Simão, o fariseu, onde convidou Jesus para ir à sua casa a fim de participar, com ele e com outros convidados, da refeição do meio-dia do Sabá.


O anfitrião, porém, foi negligente, esquecendo-se das regras comuns de cortesia, não beijando Jesus, nem lavando seus pés ou ungindo com óleo perfumado sua cabeça. Chegando-se Jesus à mesa e, com os outros convidados, tirou as sandálias. À maneira típica da época, os convidados se reclinavam em divãs (espécie de sofá sem encosto), ao redor da mesa, apoiando-se sobre o braço esquerdo e mantendo livre a mão direita para se servir da comida e da bebida, e seus pés ficavam estendidos, afastados da mesa. Se não fosse inverno a refeição acontecia no pátio, porque os judeus gostavam de comer ao ar livre. 


Durante a refeição chegou uma mulher, que morava naquela cidade e que era conhecida pela sua moral duvidosa. Ela caminhou rapidamente para perto de Jesus, pretendendo lhe oferecer um vaso de alabastro (vaso em forma de pêra com tampa), cheio de ungüento perfumado.

Porque conhecia Jesus, ela queria presenteá-lo com aquele perfume tão caro. 



Queria expressar-lhe sua gratidão por tê-la ajudado, provavelmente ensinando-lhe a mensagem de salvação, e quem sabe não fora a que houvera escutado pela manhã quando Jesus ensinava. Ela não conseguiu controlar a emoção, e, antes que percebesse, suas lágrimas corriam e caíam sobre os pés de Jesus. Ela não tinha uma toalha para enxugar seus pés. Então, soltou seus cabelos para com eles secá-los. Beijou seus pés, tomou o frasco de perfume e derramou-o sobre ele.

Do ponto de vista de Simão, aquele era um incidente muito embaraçoso. Se a mulher tivesse comprado o perfume tão caro com o dinheiro ganho na prostituição, o presente seria impuro. De acordo com (DT 23:18) - Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do SENHOR teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao SENHOR teu Deus. Deus abominava tais ganhos, que, portanto, não podiam ser trazidos à sua casa. Presentes de pessoa sem moral eram considerados sujos e inaceitáveis por qualquer pessoa respeitável. Além disso a mulher desatara seu cabelo, estando na companhia de homens; agindo assim, mostrara que espécie de mulher era. Era contra os bons costumes que uma mulher soltasse seus cabelos em público.

O fariseu se admirava que Jesus permitisse que tudo isso acontecesse. Ele começou a olhar Jesus com olhos diferentes. Se Jesus fosse um profeta, ele refletia, saberia que esta mulher era uma pecadora, e que seu presente era maculado pelo pecado. Nenhuma mulher que se desse ao respeito permitiria que uma mulher de má reputação o tocasse, infamando-o. Após estes acontecimentos, Jesus tece a parábola.



II – A CHAVE DA PARÁBOLA
“muito amou. Mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama” (Lc.7:47c)

III – O SIGNIFICADO DA PARÁBOLA

a) A parábola no sentido mais elevado, é uma narrativa sobre a graça –
Graça – Favor dispensado recebido de uma maneira gratuita sem que haja merecimento pelo recebido.

b) Na parábola temos três personagens reais:
. Jesus (o salvador dos pecadores),
. Simão, o Fariseu
. e a mulher pecadora

c) Temos também na parábola três personagens fictícios:

. O credor que emprestou o dinheiro é Jesus, Ele usa esta figura de negócios para ilustrar uma lição.
. Os devedores, o homem que devia 500 denários aproximadamente equivalente a $ 50 dólares, - refere-se a mulher pecadora e o homem que devia 50 denários, aproximadamente 6 dólares) – refere-se ao fariseu
. O credor que emprestou o dinheiro sabedor que nenhum dos dois tinha com que pagar, perdoou a ambos
. Os dois são identificados como pecadores e são identicamente perdoados

d) Na parábola temos três perguntas: As duas primeiras foram feitas por Jesus e a ultima pelos convidados de Simão 

1 - “Ora, qual deles o amarás mais ?” (vs. 42) – 
Simão respondeu: “tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou” – (vs.43)

(RM 5:20) - Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado ABUNDOU, superabundou a graça;

ë Onde muitos pecados são perdoados, o amor é mais manifesto.
ë O fariseu agia assim porque pouco amou. A mulher pecadora agia assim porque muito amou

2 - “vês tu esta mulher” (vs.44) – Jesus conhecia os pensamentos tanto do Fariseu como da mulher. Simão a via como uma alma depravada e abandonada.
3 - “Quem é este que até pecados perdoa” (vs.49) – Os convidados ficaram alarmados com a maneira de Jesus assumir as prerrogativas divina.

IV – ANALISANDO SIMÃO O FARISEU

a) Ele ficou bastante chocado com o que a mulher fez e com a atitude de Cristo para com ela –

b) Ele duvidou que Jesus soubesse que a mulher era uma pecadora
(LC 7:39) - Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora. 

c) Ele se achava uma pessoa muito boa e também se comportava com fina polidez e não se considerava um pecador

e) Ele havia convidado Jesus para comer em sua casa, mas não com qualquer desejo de ouvi-lo ensinar, pois já estava satisfeito com o seu conhecimento sobre a lei.

f) Ele não tinha a mínima intenção de honrá-lo como se estimasse profundamente –
. Era costume entre os judeus ao receber visita, saudar com ósculo (beijo de paz e amizade, como sinal de reverência e sujeição) providenciar água para lavarem os pés (como nos tempos de Abraão) e ungir a cabeça com óleo. Porém, nada disso ele fez.
(GN 18:4) - Que se traga já um pouco de água, e lavai os vossos pés, e recostai-vos debaixo desta árvore;

V – ANALISANDO A MULHER PECADORA

a) Ela procurou saber onde estava Jesus. Tudo indica que havia ouvido os seus ensinamentos, por isso estava a sua procura – 
(LC 7:37) - E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento;

b) Ela não havia sido convidado para o almoço, ela chegou por trás – 
(LC 7:38) - E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento.

c) Na época as pessoas tinham o costume de entrar nas casas sem ser convidado apenas para olhar, como acontece também aqui na nossa cultura nordestina – 

d) Durante todo o incidente a mulher não falou uma única palavra. Os seus atos falaram mais alto do que a sua intenção de não falar.

e) Ela não veio para participar do banquete, ela tinha uma fome mais profunda, pois era transgressora e sabia disso – 

f) As suas lágrimas foram de arrependimento, alegria, amor e gratidão. Frutos de quem recebe a palavra de Deus no coração.

g) Lavou os pés de Jesus com as suas lágrimas quentes e abundantes. Ao chorar aos pés de Jesus observou que os pés tinham sujado mais do que lavado, apressou-se a enxugar com os seus cabelos.

h) Depois beijou aqueles pés limpos. (v.38)

i) Ela sentia no coração que fora grandemente perdoada

j) Ela ungiu os pés de Jesus com o ungüento mais caro e fino – 
(LC 7:38) - E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento.

h) O Dr. Scroggie nota as seguintes características da mulher anônima:

• Seu conhecimento de culpa –
• Seu exercício de fé – Ela que necessitava de alívio de consciência, cria que podia alcançá-lo em Jesus.
• Sua certeza de Perdão – Não foram as lágrimas que lavaram os seus pecados, mas o amor de Cristo.
• Sua experiência de purificação – coisa essa que sempre acompanha o perdão
• Seu sentimento de amor que acompanha logo a experiência do arrependimento. O amor é a prova e não o motivo do perdão.
• Sua expressão de gratidão – Ela deu o seu precioso ungüento. 
• Sua necessidade de serviço – Ela precisava fazer algo para alguém que lhe fizera tudo.
• Sua herança de paz – “Vai-te em paz” e foi nesta esfera que desde então viveu.

VI – ANALISANDO JESUS

a) A onisciência de Jesus podia ler o pensamento tanto de Simão como também ver os atos da mulher pecadora e discernir a atitude de arrependimento. Note que o Fariseu falava consigo mesmo - 
(LC 7:39) - Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.

b) Jesus ao discernir o Fariseu observou que ele não se considerava pecador - 

c) Jesus proferiu a parábola para corrigir o juízo equivocado do Fariseu - 
(LC 7:40) - E respondendo, Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre. 
(LC 7:41) - Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. 
(LC 7:42) - E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais? 
(LC 7:43) - E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem. 
(LC 7:44) - E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e mos enxugou com os seus cabelos. 
(LC 7:45) - Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. 
(LC 7:46) - Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento. 
(LC 7:47) - Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.

d) Jesus viu o que Simão não pôde enxergar –
è Aqui são revelados dois tipos de visão:

Jesus – Viu o desejo da mulher para ser liberta -
(LC 7:44) - E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e mos enxugou com os seus cabelos. 
(LC 7:45) - Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. 
(LC 7:46) - Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento.

Simão – Viu que a mulher era uma prostituta cheia de atitudes que feria a ética de uma mulher de reputação na sociedade
(LC 7:39) - Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.

e) Quando Jesus proferiu a parábola ele fez o fariseu perceber:

Que todo o moralismo legalista não poderia ser comparado com o arrependimento e devoção daquela mulher.


VII – AS LIÇÕES DA PARÁBOLA

a) Todos estão falidos e somos devedores aos olhos do nosso Credor celestial.
b) Nem o melhor de nós e nem o pior tem como pagar pelos seus débitos.
c) Cristo, porém, por sua vontade em tomar para si mesmo o nosso débito, pode agora perdoar a todos os que verdadeiramente se arrependem de seus pecados e volta-se para ele com fé.
d) Se formos perdoados, então sentiremos amor e devoção por aquele que nos perdoou.

e) Uma vez libertos do grande peso do débito de nossos pecados, a nossa gratidão deve se manifestar.

BIBLIOGRAFIA

1. Os Evangelhos, versão restauração. Comentários Witness Lee – Living Stream Ministry – Anaheim, California – EUA. Editora Arvore da Vida

2. KISTEMAKER, Simon J. As parabolas de Jesus. 1a Ed.1992, Sao Paulo: Casa Editora Presbiteriana.
3. Bíblia Vida Nova – Edição Revista e Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil, Editor responsável Russell P. Shedd

4. Todas as Parábolas da Bíblia – Herbert Lockyer – Editora Vida ; 3° impressão 2001 – São Paulo.

5. A Bíblia em Bytes Shammah – Bíblia computadorizada

6. A Bíblia Explicada – CPAD; S.E.Mcnair, 13ª Edição; 1994, Rio de Janeiro/RJ

Elaborado por
Romildo Gurgel 

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