domingo, 6 de fevereiro de 2011

Perdão: Ariovaldo Ramos

                    
Por Ariovaldo Ramo


  No tom da paixão de Cristo

 Quando a humanidade pecou, lá no jardim, a punição apropriada para aquele ato era tudo deixar de existir. Não só a raça humana deixaria de existir, mas tudo o mais, porque a raça humana é o ápice e o “cabeça” da criação. Era um ato de ruptura com Deus que é em quem tudo existe. “Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos.” At. 17.28 Romper com Deus é não ter mais lugar para viver, para mover-se e para existir. Logo, era um ato suicida.  Era isso que o inimigo queria, ele é um suicida radical, sua lógica era algo como: se não tem pra mim, não tem pra ninguém.

Para sua surpresa, Deus prometeu a salvação. E a salvação veio em Cristo, que satisfez o princípio eterno de justiça, liberando o Pai para salvar a criação sem incorrer em injustiça.


Agora, se aquele ato no jardim tinha o potencial para a destruição total, então, todo ato semelhante tem o mesmo potencial. Todo pecado é um ato geocida, um ato de aniquilação de toda a criação. Por que, uma vez que a humanidade é uma pessoa só, o ato de cada um é o ato de todos. E essa condenação só não se consuma a cada pecado humano, por causa da todasuficiência do sacrifício de Cristo.

Quando Cristo exclamou: Pai perdoa-os, eles não sabem o que fazem. Ele estava dizendo isso; é como se dissesse: eles não sabem que cada ato dessa natureza é um geocídio. E se o Pai não perdoar, não terá outra escolha senão destruir toda a criação. Graças ao ato de Cristo, o perdão de Deus cobre a todo o pecador, mesmo que este não vá buscar o perdão, porque o princípio de justiça está plenamente satisfeito. 

Deus perdoa a cada um tendo em vista a preservação do Universo. E tudo o que o pecado gerou como efeito colateral, uma vez que seu efeito principal foi anulado, o sacrifício de Cristo possibilitou que seja restaurado. “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram...”Ap. 21.1

Por tudo isso, todos nós devemos perdoar sempre aos que nos ofenderam, porque, graças ao ato de Cristo, o pecado perdeu o seu efeito fatal na criação. E se perdeu o efeito para o Universo, não podemos permitir que cause algum efeito em nós. Nos recordemos da  força da petição que o Senhor nos ensinou, no que tange ao quesito perdão: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.” Mt 9.12
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